Este já foi melhor , não houve contactos com o inimigo, mas foi muito cansativo até chegar ao local da ceia de Natal .
Passou-se numa localidade sita no leste de Angola chamada na altura Luacano. Era uma vila com uma rua duns 500 metros com casas de cada lado tendo no princípio a estação do caminho de ferro de Benguela , no final a administração e a casa do administrador Pereira d'Eça que tinha convidado os oficiais para a consoada. À sua volta as kubatas onde viviam os negros .
Era a região dos Luenas que na sua forma tribal obedeciam a uma raínha , reconhecida por todos e até por Portugal . Numa das minhas operações militares passei na localidade onde ela vivia , não me recorda agora o nome , falei com ela e fiquei muito admirado porque tinha parado á porta sua kubata um cadilac ( servia de galinheiro e outras coisas mais ), salvo erro cor de rosa que lhe tinha sido oferecido , diziam pelo Presidente da República General Craveiro Lopes .
Eu estava nessa altura no Lago Dilolo que distava 40 kilometros do Luacano ,tempo das chuvas ,o caminho era um autêntico lençol de água , as viaturas não andavam e tivémos que fazer o percurso a pé , quase sempre com água por cima dos joelhos . Chegámos ao fim da tarde , preparei-me para a consoada e lá fui para casa do Administrador. Era "cliente frequente" da casa , comia-se muito bem ,bebia-se melhor e era certo sabido que iria saborear uma boa e farta refeição .
O prato principal era cabrito assado na brasa com batatas assadas , tinha um aspecto formidável , fazia crescer água na boca . À primeira garfada deparei no meu prato com uma "carrocha" das grandes,bem tostadinha , fiquei sem saber o que fazer. Não estive com meias medidas , cortei uma pedaço de carne um pouca maior que a dita , cobria com ele , arredei para um lado do prato e zás , prá frente é que é o caminho .Soube-me tão bem .
Terminou altas horas da noite , com um joguinho de póker e muito wisky.



