domingo, janeiro 03, 2010
Ontem...a grande moda 2010
Só depois de olhar nada discretamente é que reparei na tatuagem . Há momentos felizes ao quadrado.
sábado, janeiro 02, 2010
Para todos os amigos da Colheita!
Je suis le spectateur et l'acteur et l'auteur
je suis la femme et son mari et leur enfant
Et le premier amour et le dernier amour
Et le passant furtif et l'amour confondu
Et de nouveau la femme et son lit et sa robe
Et ses bras partagés et le travail de l'homme
Et son plaisir en flèche et la houle femelle
Simple e double ma chair n'est jamais en exil
Car où commence un corps je prends forme et conscience
Et même quand un corps se défait dans la mort
Je gis en son creuset j'epouse son tourment
Son infamie honore et mon coeur et la vie.
Paul Éluard
Derniers Poèmes d'Amour
DE UM E DE DOIS, DE TODOS
Eu sou o espectador o actor e o autor
Eu sou a mulher o seu homem e o seu filho
O primeiro e último amor
O furtivo de passagem e o amor num só
E tudo recomeça eu sou a mulher, a cama e o seu vestido
Os seus braços repartidos e o trabalho do homem
O seu prazer em flecha e o dela vaga de fundo
O meu corpo numa só e duas carnes não conhece exílio
Pois onde começa um corpo eu tomo forma e consciência
E mesmo quando na morte um corpo se desfaz
Eu repouso na sua forma de espera esposo o seu tormento
O seu opróbrio honra em mim o coração honra a própria vida.
Tradução de Maria Gabriela Llansol
Para o HB, nova faceta!

Segredo
A poesia é incomunicável.
Fique torto no seu canto.
Não ame.
Ouço dizer que há tiroteio
ao alcance do nosso corpo.
É a revolução? O amor?
Não diga nada.
Tudo é possível, só eu impossível.
O mar transborda de peixes.
Há homens que andam no mar
como se andassem na rua.
Não conte.
Suponha que um anjo de fogo
varresse a face da terra
e os homens sacrificados
pedissem perdão.
Não peça.
Carlos Drummond de Andrade
Antologia Poética
Contemplação
Contemplo o lago mudo Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.
O lago nada me diz,
Não sinto a brisa mexê-lo
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.
Trêmulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
---
sexta-feira, janeiro 01, 2010
Oportunidade perdida , ou nem por isso ....
Ressaca do Fim d'Ano ....
Bom Ano, Teresa!

Passei o fim de ano em casa, à lareira, na companhia do meu irmão e cunhada. Distraído, enquanto o resto do pessoal via o paupérrimo programa da RTP1, peguei num livro oferecido pelo meu sobrinho no Natal (O RESTO É RUÍDO - À escuta do século XX) que sintetiza a história da música do Século XX.
Comecei a ler o Capitulo 9 – Fuga da Morte: A música na Alemanha de Hitler, onde o autor refere a exaltação de Wagner pelos Nazis, as posições “heterodoxas”, para não dizer racistas, deste, e a admiração glorificadora de Goebbels por Carmina Burana de Carl Orff, "que se apresentou, (aos americanos), enganadoramente como ligado à resistência anti-nazi".
Aqui parei a leitura e lembrei-me da Teresa.
Num dos nossos Encontros, no Porto, no passeio no rio Douro, num pequeno grupo, falávamos de música e referi que gostava de ouvir a Carmina Burana, sozinho, bem alto.
Ela, de olhos abertos, com um sorriso irónico, olhou para mim e disse:
- Então tu aprecias tanto a música glorificada pelos nazis?
Aprendíamos sempre alguma coisa com a Teresa. E foi assim que entrei em 2010 a conversar com a nossa amiga Teresa.
Bom Ano, Teresa!


