Somos e fomos incapazes até aqui de distinguir a justeza da guerra (e há alguma que o seja?) com a generosidade de quem cumpriu o seu dever. E um país que não é capaz de recordar é, paradoxalmente, um país sem futuro.
Por toda a Europa celebraram-se ontem 91 anos sobre o fim da I Guerra Mundial e, no dia da Memória, como lhe chamam, homenagearam-se todos os que morreram em todas as guerras desde aí. Em França, o momento fez história, já que reuniu frente ao túmulo do soldado desconhecido, em Paris, os representantes de dois dos países que se confrontaram violentamente
No Reino Unido, a família real e os políticos multiplicaram-se em cerimónias, num ano igualmente simbólico, já que morreram recentemente os últimos três veteranos da I Grande Guerra.
.Em Portugal nada se fez, recordamos pouco e temos uma dificuldade enorme em falar dos nossos soldados mortos no Ultramar, ou dos que ainda hoje sofrem sequelas profundas daqueles combates , que são muitas e muitos . Quando não recordamos, não homenageamos aqueles que deram a vida pelo seu país, roubamos sentido à dor e traímo-los. Os combatentes em África, por força de um volte-face político, não tiveram direito a ser tratados como heróis.
Esta é a minha homenagem para todos eles, muito em especial para os da minha companhia CCAV 1537 e mais em especial para o alferes Cruz. Estejas onde estiveres , aquele abraço .