quarta-feira, fevereiro 06, 2008
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Fundo do Baú ... 1962
FOI PRIMAVERA E CHOVIA...
Com o correr dos anos vamos ficando cada dia mais detalhados no olhar. Aquilo que nos rodeava, e, sobretudo, a paisagem, era vista, sem detalhes. E todas as terras nos pareciam iguais. Porém, umas mais iguais que as outras. Foi o caso da cidade de Bragança.Lembro-me que da minha primeira visita a Trás-os-Montes, serem primeiro as rochas que me impressionaram, na sua eternidade e rudeza, na sua imponência e nobreza, de quem há muitos milhares de séculos se habituou a ver passar os tempos, as modas e os Homens.
Depois, pelo calor e serena fraternidade dos que lá estavam, detive-me nos Homens que lá fui encontrar. Ainda eram esses mais belos que as pedras altaneiras que dobram frios e ventos, neves geadas e calores.
Agora, ao regressar, pela mão amiga de quem me é muito querido e por àquela mesma terra pertencer por sangue, tive a oportunidade de rever, com atenção e detalhe, a matéria dada.
Foi muito reconfortante, para o espírito e para a carne, o calor fraternal das gentes que generosamente me acolheram e me mimaram.
Não vou dar nomes porque, qualquer citação ou mesmo escolha, seria indecorosa para gente tão generosa como amiga.
A todos, casais e solteiros, mesmo incidentalmente, e para o meu AMIGO, Hélder Barreira, primas e primos, conhecidos e afilhados, sejam ou não da apurada COLHEITA 63 vão os meus votos sinceros de uma larga vida, para eu poder continuar a ter, pelo menos o sonho, a certeza de, um dia, lá poder voltar.
Ali, eu fui muito feliz!
João Sena 5.2.08
Aniversário natalício da ....
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
O outro lado do regicídio...Parte II
O outro lado do regicídio ...
Uma questão de apelidos
Todos os dias faço uma caminhada de nove quilómetros a modos de expiação do pecado da gula, na terça-feira passada, enquanto calcorreava a estrada toca o telemóvel, do outro lado estava Roberto Afonso da Câmara de Vinhais, após os cumprimentos dá-me conta das andanças de Mário Robalo jornalista do Expresso, na procura de descendentes ou parentes de Manuel Buiça, o Buiça actor principal do drama conhecido como Regicídio.
Falámos de Vinhais, autorizo-o a dar o meu número de telefone ao jornalista. Não tarda a ligar-me a dar conta das suas precisões, combinámos almoçar nesse mesmo dia e depois em minha casa verificámos papéis e documentos relacionados com o filho do Abade de Vinhais, já que tenho intenção de escrever um livro sobre o antigo militar, exímio atirador e professor no Colégio Nacional. Vemos certidões de nascimento, topo o nome do meu trisavô – Francisco Xavier Buiça, o do meu bisavô – José Manuel Buiça e o do meu avô – Francisco do Nascimento Buiça.
Digo ao jornalista estar a ensaiar um artigo a publicar na revista Brigantia, intitulado: Buiça, um apelido perigoso! A razão prende-se com o facto de o meu avô depois emigrar para o Brasil ter ido trabalhar para a majestática “Ligth and Power”, e um dia ter sido chamado à presença do todo-poderoso director inglês. Entrou no gabinete, o homem perguntou-lhe o nome completo, o meu avô declinou-o, o “beef”voltou a perguntar: tem parentesco com o Buiça que matou o rei de Portugal? O antigo professor nas horas vagas respondeu: sou primo direito dele. Pode retirar-se, assim fez o natural de Lagarelhos e passado pouco tempo deixou a dita companhia de transportes, tendo singrado como comerciante de padarias e cafés, não sem antes ter trabalhado duramente.
Este episódio contei a Mário Robalo, enquanto ele tentava estabelecer os nexos de parentesco existentes entre diversos membros acobertados debaixo do apelido Buiça. Nessa altura, perguntou-me:”porque motivo a sua mãe não tem o apelido Buiça, enquanto os irmãos o têm?” Mas tem o apelido Buiça, retruquei e para o provar fui buscar um livro em que ela assina lindamente – Clemência Maria Buiça.
O jornalista hábil, persistente, volta à carga: porque razão o Armando não recebeu o apelido Buiça? Respondi sincera e frontalmente, como é meu timbre: na alta adolescência gostava de ter tido o mal-afamado apelido, mas quando podia fazê-lo, isto é: “requisitá-lo” não o fiz, pois vanidades ou snobismos deste calibre não fazem o meu género, deixo isso para os queques. Agora, uma coisa é certa, o apelido Buiça continua a suscitar censuras e olhares de soslaio, como muitas vezes tenho recebido quando divulgo o parentesco. Acrescentei: é minha convicção não ter recebido o dito apelido e à minha mãe ter sido subtraído por razões de protecção aos dois, apesar do meu tio José o usar e não o impedir de pertencer à Polícia de Segurança Pública.
O Expresso já publicou a peça, por isso mesmo tenho recebido muitos telefonemas a pedirem mais referências e outros a perguntarem aquilo que o jornalista perguntou. O meu avô nunca mostrou desprezo pelo seu apelido, antes se orgulhava de continuar o nome de uma família antiga, honesta e trabalhadora. Em sua homenagem a casa de Lagarelhos é a “Casa Buiça”. Na altura do regicídio tinha ele doze anos, dadas as notícias ameaçadoras contra a família nessa casa hoje minha propriedade foi feito um falso para lá ser enfiado caso se concretizasse a morte de todos os parentes até à sexta geração.
Não aconteceu, ainda bem digo eu, enquanto alguns acéfalos pouco admiradores da minha pessoa dirão: Que pena! Que pena! A família tem-se, os amigos escolhem-se, dizem os sábios, o conhecimento tão exaustivo quanto possível que tenho do Buiça, leva-me a convicção de ele na altura estar apossado de um violento idealismo vanguardista e maleável a ouvir o canto da sereia. Mas isso fica para o artigo acima referido.
No mais, nenhum dos membros da família jamais mostrou regozijo pelo acontecido, muito menos incensou o parente mais ou menos chegado de todos, que originou alterações políticas de tomo e também levou à perda do apelido para alguns de nós.
Por: Armando Fernandes
Depois do vendaval a bonança ...
A música não está muito bem , mas não me apetece mexer mais nisso.
Dia de muito trabalho!
domingo, fevereiro 03, 2008
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
CRÓNICA SEMANAL (45ª)
Hoje, dia 1 de Fevereiro de 2008 comemoram-se os 100 anos deste atroz acontecimento que galvanizou os militantes afectos ao ideal republicano, cujas repercussões sócio-políticos se traduziram num desenfreado aceleramento do processo de queda da Monarquia. Paralelamente ao que efectivamente se sucedeu nesse dia, cabe-nos a nós, cidadãos portugueses do século XXI, tentar compreender as grandes razões que subjazem a este assassinato. Senão vejamos alguns factos: no inicio do século XX tínhamos um país atrasado, pobre, rural, sofredor, analfabeto e cansado da insensibilidade e da gula desenfreada da classe política e da inoperância da medidas em matéria de finanças públicas. Os republicanos, defensores de um novo projecto e de uma nova ideologia, derrubaram a monarquia em 1910. Contudo, o panorama social, político e económico não sofreu grandes mudanças até 1933.
Seguramente dever-se-á colocar as seguintes questões: justificou-se o atentado? Seria necessário? Primeiro, um atentado nunca é justificável por mais legítimo que possa ser o desejo de estabelecimento da ordem e de uma nova ideia de Direito. Segundo, não era necessário exterminar pessoas humanas, mas era indispensável transformar a sociedade, pois o “prazo de validade” da Monarquia já tinha expirado.
Em suma, fiquei muito congratulado por esta comemoração coincidir com a minha crónica semanal, pois é uma temática histórica que sempre despertou o meu interesse e fascínio pelo que é possível que daqui a umas semanas voltemos a falar de alguns membros da família real.
By Afonso Leitão



.jpg)