A interactividade da Colheita63 em movimento contínuo para todo o Mundo e especialmente para Lisboa , Tomar , Monte Estoril , Linda-a-Velha , Setúbal , Coimbra , Porto , VNGaia , Braga , VNFamalicão , Santo Tirso , Afife , Vila Real , Vinhais , Bragança , Castelo Branco , Seia , Vendas Novas , Varsenare e Aveiro

sexta-feira, junho 29, 2007

Não , nunca fomos racistas!

Na passada quarta-feira estive na Beira-Alta a cumprir uma tradição, levada a efeito por um grupo de amigos militares, que todos os anos, por esta altura, vaõ comer um delicioso cabrito assado, daqueles que pastam nas faldas da Estrela, acompanhado desse néctar precioso(segundo os entendidos , que não eu) feito líquido encarniçado e que dá pelo nome de vinho do Dão.
Vamos a meio da tarde dum dia, instalamo-nos numa casa solarenga, onde passou a sua juventude um coronel de Cavalaria, hoje já reformado, preparamos com todo o amor e carinho o pitéu e, depois de bem confeccionado, é um regalo ver a determinação e vontade, com que uma dúzia de homens habituados às lides das armas e com o sangue pejado de colestrol e triglicéridos, se lançam naquele ataque, a um bichinho inofensivo que apenas tem a defendê-lo umas batatas assadas redondinhas e gordurosas.
A digestão é feita por uns a "resolver os problemas da mãe -Pátria" e por outros sentados à volta de um pano verde, puxando as orelhas de umas cartas, tentando estabelecer uma "bridge" para contratos mal acertados.
Quando já não aguentamos mais , por cansaço ou por razões digestivas, vamos dormir o que podemos e, no dia seguinte, regressamos à nossa rotina e ao aconchego das nossas famílias.
Este ano, porém, sucedeu um facto que me causou admiração, mas que serviu para reforçar ainda mais a ideia que tenho, desde que comecei a pisar terras de África, que os portugueses não são, nem nunca foram racistas!
Então o que se passou ?
Na altura da sobremesa, começamos a ouvir uma ladaínha que vinha do exterior e que, instantes volvidos, identificámos como a reza do terço por uma comunidade, que percorrendo as ruelas da aldeia, se deslocava em procissão, solicitando à sua Santa Padroeira, algo que os reconfortasse das agruras dos dias.
A comunidade de uma aldeia beirã, nas imediações Serra da Estrela, prestando o seu culto, tinha
como seu pastor, um sacerdote de raça negra, que munido dum altifalante eléctrico e vestido todo de branco, orientava as preces de acordo com as regras católicas.
Esta situação, seria possivel num povo, rural e profundamente conservador, em que o racismo imperasse e ditasse as suas leis?
Penso bem que não!

CRÓNICA DE SEXTA-FEIRA (28ª)

Ensino

Findei na semana passada os exames a que me submeti. Como já havia mencionado neste blogue realizei os exames de Português e História A referentes ao programa do 12º ano. Para responder à questão da Drª Gélica, devo dizer que me correram bem, apesar de me ter deparado com algumas peculiaridades nas duas provas.
O exame de Português (o primeiro desta fase) continha um poema de Álvaro de Campos e subsequentes questões de interpretação. Para minha admiração não havia nenhuma pergunta de gramática. Em conclusão, estudei muito, não me arrependo disso, contudo este modelo de exame é taxativamente indicado para os alunos que estudaram em “oito horas ou menos” a matéria, como ouvi na televisão, e não para aqueles que estudaram muito e que desenvolveram um trabalho consistente ao longo do ano lectivo. Por isso, a crítica proferida pela associação de professores de Português é categoricamente plausível e acertada. Estou confiante, mas mantenho-me naturalmente céptico. É preferível estar renitente do que eufórico.
Relativamente ao exame de História, já exigia muito estudo. Os temas contemplados foram: o “terramoto” Humberto Delgado de 1958 e sua conjuntura, o fenómeno da globalização e a emergência das economias asiáticas. Por ironia do destino, após ter escrito criticamente neste espaço sobre o Salazarismo, deparei-me, na prova, com um dos principais opositores ao ditador português. Inexplicavelmente encontrei um erro no exame, mas, enfim, não é daqueles que influencia decisivamente. Novamente confiante e esperançado.
Em suma, estou de férias há uma semana e resta-me descansar para em Setembro encetar mais uma fase da minha vida: o ensino universitário.

By Afonso Leitão

segunda-feira, junho 25, 2007

Presença Militar na Língua Portuguesa ( 15 )

( continuação )
Preso curto - estar controlado.
Expressão originária da hipologia que se dizia e diz dos cavalos ou muares que quando estão presos à manjedoura podem estar "curtos" ou "compridos, conforme a argola ( das duas existentes ) da corrente de ferro que os prende, fôr utilizada.
Assim, quando se pretende dar ao animal uma maior liberdade de movimentos, inclusivamente deitar-se, prende-se "comprido". Quando, pelo contrário, se pretende limitar esses movimentos,
amarra-se "curto".
Primeira linha - Local mais exposto.
Entre os militares, "primeira linha" é a linha da frente, a que tem maior probabilidade de ter um contacto directo com o inimigo e, portanto, mais perigosa.
Puxar pelos galões - Pretender afirmar-se.
No Exército utiliza-se esta expressão quando se quer dizer que um determinado graduado invoca a sua patente para fazer valer as suas razões.
Quanto maior a nau maior a tormenta - Maior organização, mais problemas.
Derivada dos gloriosos tempos das naus, em que quanto maior era a nau, mais complicados eram os assuntos a resolver, fossem eles de tempo (as naus com maior calado tinham problemas com as estruturas ), de pessoal ( quando havia epidemia a bordo, maiores eram as baixas ) ou de qualquer outra natureza.
Quinta coluna - grupo que mina o objectivo a atingir.
Expressão atribuida ao general espanhol nacionalista Mola quando, em 1936, durante a Guerra Civil de Espanha, planeava o ataque a Madrid com quatro colunas de tropas.
Sendo-lhe perguntado qual delas chegaria primeiro à Capital, o general respondeu: " A 5ª, a que já está dentro de Madrid".
( continua )

sábado, junho 23, 2007

Novas companhias!


Morreu a Frida mas já há substituta: Quíca!

Caló (Labrador Retriever) e Quíca (Serra da Estrela)


Os "humanos" são uns ingratos...

Também há notícias boas...

Sábado, 23 de Junho de 2007

Cápsulas de insulina em vez das injecções
MARIA JOÃO CAETANO

As pessoas com diabetes poderão em breve tomar um comprimido de insulina em vez de se injectarem diariamente. A empresa inglesa Diabetology tinha marcada para ontem, em Chicago, nos Estados Unidos, a apresentação dos resultados de uma investigação realizada em parceria com a Universidade de Cardiff demonstrando a eficácia de uma cápsula de insulina que pode revolucionar a vida dos pacientes com diabetes.

quinta-feira, junho 21, 2007

Imperdívelmente maravilhoso...

Redacção feita por uma aluna da Faculdade de Letras do Porto,que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro. Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento. Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo. Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício. Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

Fernanda Braga da Cruz
Nota : Veio ter-me à mão e não pude deixar de o partilhar convosco .

Presença Militar na Língua Portuguesa (14 )

(Continuação)
Pistoleiro - Matador prifissional.
Soldado de cavalaria do século XVI, armado de pistola.
Pontaria - Acerto das respostas.
Nas Forças Armadas diz-se que um determinado militar tem boa "pontaria" quando consegue fazer uma boa pontuação nas sessões de tiro. Tal termo deriva dos aparelhos de pontaria das armas , que servem para orientar o tiro das mesmas sobre os alvos.
Pôr-se em sentido - atitude de subordinação total.
A expressão de "pôr-se em sentido" é uma expressão de cariz totalmente militar, que representa uma posição de respeito e subordinação hierárquica.
É vulgar ouvir-se pr exemplo:" basta ela dizer-lhe alguma coisa para se pôr logo em sentido".
Pôr-se na alheta - Fugir.
Na Marinha, é sabido que navio de vela, com dado vento e pano em cima, logra maior velocidade levando vento nas "alhetas"- as duas faces laterais curvas do costado, a bombordo e estibordo.
Pôr-se na retranca - actuar com retraimento.
Um arreio de tracção ou de montada prende-se ao animal por três lados:à barriga, pela cilha ou cilhas; à frente, pelo peitoral; atrás, pela "retranca".
"Retranca"é, pois, a correia de um arreio de um muar ou de um cavalo que passa por detrás do animal ( por debaixo do rabo e por cima das bragadas ou coxas) e que serve para segurar o arreio e não o deixar escorregar para a frente. Por semelhança, diz-se de alguém que se encosta à retaguarda e não quer andar para a frente, que se retrai, que não se decide, que actua com reservas, com retraimento.
Porta do cavalo -Sair sub-repticiamente ou sem se despedir de ninguém.
Costuma chamar-se "porta do cavalo" a uma outra porta que não a principal da casa situada nas trazeiras ou nos fundos, em posição oposta à da frente. Esta expressão deriva do facto de as portas de saída dos cavalos nos quartéis serem outras que não a porta de armas.
( Continua )

terça-feira, junho 19, 2007

Atenção...

Durante os próximos 15 dias não vou ter internet nem computador. Eventualmente por onde andar, procurarei manter o contacto , mas vai ser difícil, por isso peço aos Colaboradores do n/blogue de suprirem um pouco a minha falta , postando alguma coisa. Conto convosco....