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domingo, março 01, 2009

Luxo pró lixo ...

Atendendo ao modo como hoje se ensina, estou em crer que serão muito poucos os que sabem quem foi um homem chamado Henrique Galvão, militar de carreira e político-revolucionário mal sucedido.

Apoiou a ditadura de Sidónio Pais e, depois, o Estado Novo de Salazar. Foi o primeiro presidente da Emissora Nacional e serviu o regime como administrador colonial. Entrou em dissidência, conspirou e foi preso, acabando por se refugiar numa embaixada sul-americana. A sua grande aventura aconteceu com o assalto ao paquete "Santa Maria", que comandou, repleto de passageiros, num percurso errante no Atlântico. O acto revolucionário terminou em asilo político no Brasil, não sem que o Mundo (e foi o único ganho) ficasse ciente da falta de liberdades políticas em Portugal.

Antes do exílio em Marrocos, o capitão Galvão dedicava-se à escrita com grande êxito. Além de numerosos livros, escreveu crónicas e comentários em jornais, nomeadamente no nosso JN. No gabinete que mais tarde ocupei, havia uma pasta com recortes das suas crónicas: eram prosas críticas que nem sequer poupavam os correligionários.

Tenho presente um comentário que tinha por título esse de que hoje me aproprio. Violento, zurzia impiedosamente os políticos que gastavam rios de dinheiro em edições de propaganda, assim desbaratando os dinheiros dos contribuintes. E lembrei-me dessa crónica quando há dias me passou pelas mãos um riquíssimo panfleto, com uma vintena de páginas de aprimorado grafismo, papel e impressão de altíssima qualidade, dedicado à obra (vá lá que valiosa) de uma entidade da administração pública e aos méritos dos seus dirigentes, cujas fotografias se repetem ao longo de todas as páginas, tudo isso num desperdício merecedor da crítica de Henrique Galvão.

Tal como ele então escrevia, estes luxos acabam sempre, como agora, no reles anonimato do lixo. Bem entendido, só depois de terem cumprido a missão de fazer a propaganda de uns tantos à custa do dinheiro de todos.

In JN de hoje

2 comentários:

Anónimo disse...

Ao ler o artigo sobre o cmdt.H.G.
lembrei-me logo do assalto ao Santa
Maria.
A noticia foi publicitada na Rádio
e Imprensa e já se faz ideia que se
aguardava a chegada a Lisboa com
grande expectativa do paquete.
Quando chegou o momento do Prof.
Salazar discursar ficou tudo admirado.
-TEMOS O SANTA MARIA CONOSCO
-OBRIGADO POTUGUESES
Foi breve.
Pronto é só isto
BV.

Anónimo disse...

Helder. Tu ainda te lembras desse
famoso e lacónico discurso?
Temos que contar esta ao teu sobrinho.
A propósito ele deixou de nos
visitar.Se é por motivo de estudos
tudo bem.
BV.