A interactividade da Colheita63 em movimento contínuo para todo o Mundo e especialmente para Lisboa , Tomar , Monte Estoril , Linda-a-Velha , Setúbal , Coimbra , Porto , VNGaia , Braga , VNFamalicão , Santo Tirso , Afife , Vila Real , Vinhais , Bragança , Castelo Branco , Seia , Vendas Novas , Varsenare e Aveiro

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Os aniversariantes depois da "festa"

O Quadro do BCP

2007-02-28 - 00:00:00
Salário dificulta renovação de mandato
Paulo Macedo bate com a porta

A saída de Paulo Macedo da Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) estará praticamente garantida e deverá ser formalizada ainda esta semana pelo ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, que na mesma altura anunciará o nome do substituto


O ministro, que ontem estava em Bruxelas para a reunião com os ministros das Finanças da União Europeia, não confirmou a informação divulgada pelo site do ‘Expresso’ e disse que a situação se mantém como estava. Em causa está a lei que impede que qualquer pessoa que ocupe um cargo no funcionalismo público possa ganhar mais do que o primeiro-ministro – cerca de 5360 euros. Por isso, Paulo Macedo teria de reduzir o seu ordenado de mais de 23 mil euros brutos para aquele valor. Teixeira dos Santos tentou encontrar outras formas de remuneração que permitissem a Macedo continuar sem infringir aquela lei, uma medida que não foi aceite pelo director-geral dos Impostos, que tenciona regressar ao seu lugar de origem no Millennium BCP, banco de que é quadro.

Ana Rita Estrompa

Hoje fazem anos ..Levinda e Isaías

SmileyCentral.com
Um grande abraço de parabéns para vós e até logo.
Dedico-vos o Happy Birthday pelos Beatles

terça-feira, fevereiro 27, 2007

URGÊNCIAS HOSPITALARES, adenda.

Vi, no Prós e Contra, o debate sobre a questão das urgências.
Foi um debate intenso, vivo, profundo, sem ofensas, e com opiniões diversificadas.
Paradoxalmente, e ainda bem, a moderadora tomou uma atitute adequada.
Confesso que clarifiquei ideias e mudifiquei a minha opinião.

Depois de refletir sobre o que ouvi apetece-me dizer:
  1. O Ministério deve continuar a reorganização da rede de urgências cujos trabalhos começaram, salvo erro, em 1996 ou 1999
  2. A exposição dos elementos da Comissão Técnica foi, para mim, absolutamente esclarecedora e fundamentada
  3. A Comissão Técnica trabalhou de forma gratuita e continha médicos de todo o País
  4. A implementação dos novas formas de organização dos Centros de Saúde tem de ocorrer em simultâneo
  5. Cerca de metade das autarquias discordantes chegaram já a acordo com o Ministério tendo sido defininido, em protocolo, novas formas de organização dos serviços de saúde locais, conforme as especifidades próprias
  6. Quase todas as outras têm reuniões agendadas no Ministério
  7. O Ministro foi claro, aberto ao dialogo e esclarecedor
  8. Segundo a O.M.S. Portugal, em termos de qualidade de saúde, está em 12º lugar mundial, tendo à frente a França (1º lugar), Espanha, Itália, e atrás, pasme-se, a Inglaterra, os países nórdicos, os Estado Unidos e outros grandes e ricos países
  9. Apesar de haver alguma dificuldade em a opinião pública assimilar muitos conceitos técnicos, desta vez, por mérito da moderadora e de todos os participantes, a linguagem foi bastante acessível e clara
  10. Só não percebeu quem, por razões emotivas (não acredito que haja outras) não conseguiu ver/ouvir para além do imediato
  11. Ficou claro que é indispensável a definição dos percursos entre os serviços (que já está a ser elaborada pela Comissão Técnica)
  12. Ressaltou a necessidade de dotação adequada do INEM para poder cumprir a sua quota parte de responsabilidade nesta questão
  13. Ficou ainda claro a importância da existência de Médicos Internistas espalhados pelos hospitais de todo o país, na prática serão eles a espinha dorsal deste sistema
  14. Compreendo que, mesmo assim, haja quem não fique satisfeito
  15. A politica é a arte de decidir, ora, decidindo não se agrada a todos
  16. Agradar a todos é o caminho mais curto para o fracasso
  17. No total serão criados muitos mais serviços de urgência (nas várias modalidades) do que os que mudam de estatuto
  18. O País fica totalmente coberto por esta rede de Urgências, nas suas diversas formas
  19. Não sejamos utópicos, não pode haver uma urgência em cada bairro.
  20. Claro que todos nós gostaríamos que a urgência fosse no nosso bairro

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Isaías's fair-play!

Treinador do Sporting com um sósia...

4º Encontro Colheita 63 ... em Tomar

O 4º encontro já mexe. É no fim de semana de 2/3 Junho. Aqui vai o programa provisório, que me foi enviado pelo Medeiros.

IV Encontro de Finalistas do Liceu Nacional de Bragança 1962/1963 .
Nos dias 2 e 3 de Junho de 2007, em Tomar.

Programa Provisório:
DIA 2: - Almoço ( restaurante a indicar)
- Tarde Cultural ( Visitas a locais históricos)
- Teatro com Jantar ( no Convento de Cristo)
Dia 3 : - Almoço "flutuante" a bordo do Barco de S. Cristóvão, na Barragem de Castelo de Bode.
Nota: - Haverá descontos em Hotéis.
- Dentro de dias, enviarei programa mais pormenorizado.
SmileyCentral.comSmileyCentral.com

COLHEITA63 - CIÊNCIAS

O mirandês da Colheita63, está sempre na mesma

domingo, fevereiro 25, 2007

URGÊNCIAS HOSPITALARES

O Ministro da Saúde tem razão em querer reorganizar a rede de Urgências Hospitalares.
A Comissão Técnica apresentou, provavelmente, um relatório que deve estar cheio de "razões científicas".
O Ministro tem sido desastrado a lidar com este problema.
Lembra um elefante numa loja de porcelanas.

De verdade o que muitas das vilas reclamantes necessitam é de "consultas permanentes" com alguma diferenciação.
Só quem trabalhou anos e anos num serviço de urgência sabe o que isto significa.
São milhões gastos em recursos não rentabilizados.
É um sorvedouro de dinheiro a correr para o bolso de alguns médicos, sem qualquer justificação.

O que falha é a prestação de cuidados médicos a montante da urgência.

Neste momento os Serviços de Urgência, na generalidade, além de tratarem urgências - poucas - tratam emergências - muito poucas - e, acima de tudo, fazem "consulta permanente".
Os Serviços de Urgência são inundados por doentes que necessitam de consulta mas que nunca lá deveriam ir.
Para isso os serviços de saúde a montante têm de responder às necessidades dos utentes.

Importante é dar resposta nos serviços de ambulatório, consultas dos Hospitais e dos Centros de Saúde, por exemplo, e não só das 9 horas às 13 horas!
Quem estivesse doente, uma gripe por ex., deveria ir ao seu médico nesse mesmo dia. Não recorreria ao serviço de urgência.

Assim só iriam ao serviço de urgência os doentes referenciados pelos seus médicos como URGÊNCIAS MÉDICAS e os doentes com EMERGÊNCIAS MÉDICAS.

Mas fiquem cientes: é preferivel uma boa Urgência a 20-30 Km, do que uma má Urgência à porta de casa. Desde que haja uma boa rede de transporte, ambulâncias com assistência (enfermeiro, por ex.), não necessáriamente medicalizadas.

Mas repito, o Ministro está a ser completamente obtuso na forma de lidar com esta questão.

NÃO BASTA TER RAZÃO, É NECESSÁRIO TER BOM SENSO.

Para quem vive em Lisboa! Lembram-se?


...antes que o povo acorde!

Para o M. C.

Caríssimo, mais um desgosto para ti: a Scarletezinha é do Benfica!

Uma verdade inconveniente


Vi ontem este filme/documentário de Al Gore que acompanhava o Público de sexta-feira (15 €).
É inquietante verificar como o homem está a destruir a natureza.
Que futuro estamos a "construir" para os nossos netos?

E se eles nos fizerem a pergunta:

- Avós porque deixaram destruir este planeta?


Vou comprar o livro, lê-lo com cuidado e voltar a escrever um post mais alargado.
RECOMENDO VIVAMENTE QUE SEJA VISTO, COMENTADO E DIVULGADO POR TODOS!

Música semana 09 ...Cavalina

Para ouvir clicar 2X no Play

Revi o filme “O Caçador” e esta música faz parte dos seus temas. Como gosto muito dela, dedico-a a todos vós Colheiteiros e meus amigos.

Rescaldo do referendo...

23-02-07
Sondagens após o referendo:
PS - 47%
PSD - 27%
CDS - 5%
PCP - 10%
BE - 7%
Significativo...! Mas sondagens são o que são e mais nada!

sábado, fevereiro 24, 2007

Zeca Afonso .... O cantor da liberdade

Fez ontem 23 anos que morreu Zeca Afonso. Esta é a minha homenagem.
Conheço bem as canções do Zeca Afonso desde que estive na tropa, pois havia um alferes na m/companhia ( alf.Gago, um grande abraço se me leres) natural de Grândola e que após o 25 de Abril foi seu Presidente de Câmara, que constantemente trauteava as suas canções e me meteu o vício.

Professores ....

Pensei escrever algo sobre algumas características dos Professores da Colheita e o 1º vai ser o Drº Francisco Àlvares Pires . Foi meu professor dois ou três anos no 2ºciclo, era do tipo"durão" mas debaixo dessa capa, encontrava-se uma pessoa bondosa e com espírito de humor. Conhecia todos os seus alunos pelo nome, sabia do que eram capazes e quando via que não sabíamos por falta de estudo, aí vai disto .... e nós aprendíamos e não nos íamos queixar ao papá ou à mamã, senão ainda levávamos mais ...
Estava em pleno exame de práticas de físico-químicas e ele era um dos vigilantes desse exame. Olhei para o trabalho que era de química sem saber o que fazer, era preciso misturar água e ácido mas eu não sabia a ordem. Ía misturar água com ácido( seria??) e de repente apareceu o Drº Francisco Pires e disse-me: " Buuuurro", logo vi que estava a fazer mal, inverti a situação e segui. A páginas tantas o líquido ficou terroso, com mau aspecto e eu para que ele não visse , deitei-lhe água para atirar tudo fora e aquilo ficou com uma cor azul céu, muito bonita. Ele apareceu e com ar feliz e algo incrédulo perguntou-me, "como foste capaz de fazer isso?".Era assim o Dr. Francisco Pires.
Nota : sei que ainda está vivo, reside no Porto e amiga Teresa quando o vires dá-lhe um grande abraço.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

CRÓNICA DE SEXTA-FEIRA (14ª)

José Sócrates

No dia 20 de Fevereiro, desta semana, o governo socialista, de maioria absoluta, superintendido por José Sócrates comemorou o seu segundo aniversário. Chegou a circunstância primorosa de todos os leitores percepcionarem o meu juízo relativamente ao secretário-geral do Partido Socialista e às suas reformas governativas.
Numa primeira abordagem, devo salientar que neste meio mandato, assistimos a uma inteligível “personificação” do poder na medida em que conseguiu domesticar a esquadra partidária e impor o seu pujante e inflexível estilo em distintas matérias, nomeadamente na sua incontornável relação com a Oposição. Por exemplo, Paixão Martins afiança que Sócrates “tem uma política de comunicação muito simples: fala quando tem alguma coisa para dizer”.
O estado de graça do Primeiro-Ministro vislumbra firmeza. Contudo, houve algumas “nuances” na sua governação: Cavaco Silva moderou a tentação de conflito. Por conseguinte, efectuarei uma análise à governação em duas vertentes: positiva e negativa.
Considero: i) Positiva a actuação do governo nas áreas da economia/ finanças e na política externa. No primeiro ponto verificámos um esforço singular, por parte de Executivo, em reduzir o défice orçamental para 4,6% em virtude dos cortes perpetrados nas despesas com os salários e investimento. Por outro lado, Sócrates é o rosto triunfante no âmbito das excepcionais negociações com a União Europeia, respeitante a fundos comunitários para Portugal entre 2007 e 2010. Neste contexto, desejo veementemente que o “Simplex” germine os primeiros progressos. A Lei das Finanças Regionais e Locais espelha a intrepidez política de Sócrates na medida em que silenciou os “dinossauros” da nossa sociedade, tais como: Alberto João Jardim, Rui Ruas e Valentim Loureiro.
ii) Negativa a actuação do governo em termos sociais e na área da saúde. Relativamente ao primeiro aspecto quero lançar algumas questões: o nível de vida melhorou? O poder de compra aumentou? Porque é que o desemprego aumentou no último trimestre de 2006 para os 8,2%? Porquê maior carga fiscal sobre os portugueses? Porque é que não se fomenta o investimento privado, em detrimento dos aumentos dos impostos? Onde estão os 150000 postos de trabalho prometidos pelo PS na campanha eleitoral?
A derrota das autárquicas e a “vitória” das Presidenciais não esmoreceram o espírito reformista do Governo e com o triunfo do Referendo, que foi um dos obreiros, e com os índices de popularidades notáveis só aguardo pela recuperação económica e social, o arranque do investimento e um maior enquadramento de Portugal na globalização.
Estarei a ser demasiadamente optimista?

By Afonso Leitão

SmileyCentral.com Do Tio Bola

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Um bom parceiro...

Ao remexer uns velhos papeis, que tinha guardados, encontrei um que me foi dado num campeonato de Bridge, já lá vão um par de anos. Por julgar manter-se o seu interesse, nem que seja para transmitir aos netos, aí vai uma forma de comportamento para quem gosta de se sentar numa mesa de tampo verde e que gosta de estar com os seus amigos disfrutando o prazer dum jogo de cartas.
" Saber ser um bom parceiro é meio caminho para ser um ganhador de bridge. Segundo Rixi Marcus, uma das melhores jogadoras de sempre,a atitude perante o parceiro é tão importante como o domínio da técnica. Fazer críticas, ser sarcástico, discutir leilões ou linhas de carteio, comentar os erros com os adversários ou ser mal educado só contribui para enervar o parceiro. Não esqueça que ele( ou ela) está do seu lado e tem tanta vontade de ganhar como você. Charles Goren dizia aos seus alunos " o bridge é para se divertir;não jogue por outra razão, nem por dinheiro nem para provar o quanto é esperto, nem para demonstrar que o parceiro é estúpido...
nem qualquer das outras milhentas razões que os jogadores de bridge inventam".
Quando estiver prestes a perdero controlo, levante-se da mesa e dê uma volta para arejar.Se não suporta o parceiro, arranje outro.
Afinal, o bridge não passa de um jogo !

É fartar vilanagem ....

Com 30 e tal pontos à maior sustentados em 30 e tal maiorias absolutas, eis senão quando o madeirense com os "tomates" maiores que qualquer "contenental" decide em época carnavalesca plebescitar-se perante o seu povo. Aqui d'el rei que me "roubaram" o que era "meu" e agora já não posso gastar faustosamente ( 1 milhão de cts para um jornal diário com 5.000 tiragens é obra ...) em tudo o que lhe apetecia , chantangeando sempre todos os mandantes do "contenente" que muito servilmente aceitavam. O resultado está à vista, o reizinho sentiu que lhe estavam a tirar o tapete debaixo dos pés , que não mais podia andar permanentemente a jogar aos carnavais , que doravante tinha que fazer contas ( aconteceu o mesmo a todos ) e teve uma birra, que depois de passar, vai ficar tudo na mesma ou ainda pior...
Já agora quem quiser ser espanhol ( Chaves e Valença ) podem sê-lo à vontade , a mim não me faz qualquer diferença.
Moral da história : em tempos de vacas gordas todos gozam á vontade, o pior é que ninguém quer ter os seus ónus, os culpados são sempre os outros. Aonde isto irá parar ......

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Pensamento(s) do Dia...

De Vinicius de Moraes, à vossa escolha.

Sobre o amor

"Que não seja imortal, posto que é chama
mas que seja infinito enquanto dure."


Sobre o whiskey

"O uísque é o melhor amigo do homem, ele é o cachorro engarrafado."


A propósito, saiu em DVD um filme de Miguel Faria Jr. sobre este "poeta, músico, diplomata, dramaturgo, boémio, sedutor incorrigível. (...)Um extraordinário tributo a um dos mais extraordinários brasileiros do século XX." (João Miguel Tavares, in suplemento "6.ª" do DN de 16/02/07)

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Um Pouco de Humildade...

As raízes da ética

«A essência do comportamento ético não parece ter começado com os seres humanos. Há dados notáveis de estudos feitos em aves (como os corvos), e em mamíferos (como os morcegos, os lobos e os chimpanzés) que indicam claramente que espécies não humanos se parecem comportar, aos nossos olhos sofisticados, de uma forma ética. Exibem simpatia, apegamentos, embaraço e vergonha, orgulho dominante e humilde submissão. São capazes de censurar e recompensar as acções de animais congéneres. Uma espécie de morcego conhecido pelo nome de morcego vampiro consegue detectar aqueles que fazem batota e trata também de os castigar. Os corvos fazem o mesmo. Exemplos de comportamento ético são, como seria de esperar, ainda mais convincentes entre os primatas e não se confinam de modo algum aos chimpanzés, os nossos parentes mais chegados. Os macacos Rhesus comportam-se com outros de maneira altruísta. Numa experiência notável executada por Robert Miller e discutida por Marc Hauser, os macacos deixavam de puxar uma cadeia que lhes traria comida caso esse acto fizesse com que um outro macaco recebesse um doloroso choque eléctrico. Em tis circunstâncias, alguns macacos passaram horas e até dias sem comer. De forma bem sugestiva, os animais mais susceptíveis de se comportarem de forma altruística eram aqueles que tinham conhecimento social prévio do animal que receberia o choque. Os macacos que noutras fases de experiência tinham eles mesmo recebido choques, mostravam também maior probabilidade de se comportar de forma altruísta. Não há qualquer dúvida de que o altruísmo não se confina aos seres humanos. Este facto pode talvez desagradar aqueles que acreditam que a justiça é um traço exclusivamente humano. Como se não bastasse que Copérnico nos tivesse dito que não estamos no centro do universo, que Charles Darwin nos tivesse informado de que temos origens bem humildes e de que Sigmund Freud nos tivesse mostrado que não somos donos da nossa própria casa no que respeita à consciência que temos dos nossos comportamentos, somos agora também obrigados a admitir que, mesmo no domínio da ética, temos predecessores e somos descendentes.»

António Damásio, " Ao Encontro de Espinoza"

Mulher de Negro Vestida

Cheguei à estação com antecedência, pois nunca esqueci os conselhos de minha mãe (...). Comprei o bilhete, pedi licença a uma mulher vestida de negro que estava sentada (...) e que amavelmente se afastou um pouco. Eu estava de partida para Lisboa, donde sairia no dia seguinte para uma viagem de cinco dias a Roma (...) por mim tão desejada. (...)
Comecei a olhar para a minha companheira de banco. Como é hábito meu, interesso-me por tudo o que se passa à minha volta. Passados minutos a conversa surge espontânea, e daí às confidências é um passo. A minha companheira começava a comer um papo-seco com queijo branco: pão já ressequido, queijo com aspecto de caseiro...Já não vai sendo comum ver puxar de merendas em lugares públicos, o que se vê são sanduíches standardizadas dos bares de estação.
Seria sinal de dificuldades, interrogava-me e dispunha-me a tentar adivinhar o que se passaria com aquela mulher de ar tão sofrido.
De repente, os altifalantes da estação anunciaram a chegada de um comboio. Vendo-a na dúvida, e depois de ver o seu bilhete, tranquilizei-a, aquele ainda não era o que ia apanhar. Agradeceu e começou a falar:ia para o Entroncamento, tinha ido levar um filho ao Porto, e tinha parado em Coimbra para visitar outro filho que estava internado por causa de um acidente no trabalho. Olhei-a condoída para ela. Teria cerca de 60 anos. Perguntei-lhe se o filho era tão novo que necessitasse da companhia da mãe, respondeu-me que tinha 28 anos, mas que estava muito doente. Era muito trabalhador, há uns anos, mas depois as más companhias....Fez um breve silêncio, o meu coração deu um baque. Muito baixinho, como que pedindo desculpa, mas no intuito de ver se podia ajudar, balbuciei "não me diga que o seu filho...". Calei-me, sem coragem para proguessir. Porquê fazê-la contar uma coisa tão íntima e que tanto a fazia sofrer? Pois não estava estampado no seu rosto?!... Olhou para mim com os olhos rasos de água, necessitada de contar a sua infelicidade a alguém: "Há tempos, a minha filha parou junto de um jovem que pedia para a REMAR, uma associação que dá ajuda a toxicodependentes. Deu o seu contributo, e vendo o seu ar, o jovem que lho agradeceu perguntou-lhe se tinha alguém que precisasse de apoio. Ela falou do irmão, ficou com o contacto...e assim foi o filho de sua mãe tentar uma vez mais livrar-se do vício."
Que dizer àquela mãe vestida de negro, por fora e por dentro, senão apertar-lhe fortemente as mãos nas minhas, falar-lhe em melhores dias e em não perder a esperança?!
O altifalante anunciava a chegada do meu comboio e a minha alegria da viagem a Roma, por momentos, esmoreceu. Ela levantou-se e ajudou-me a transportar a bagagem. Procurei uma janela. A minha mão direita levantou-se várias vezes para lhe dizer um adeus solidário e confiante, ela sorriu levemente. Talvez as minhas poucas palavras de conforto e esperança a tenham feito esquecer, por momentos, o seu sofrimento, e nascer alguma fé em dias melhores...

Texto escrito pela Levinda em 22/08/93

Piada da Semana 08

Para todos os professores, nomeadamente os da Colheita63 e especialmente a GB que é a única candidata ao sinal.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Um exemplo de vida

Muito interessante este concurso de dança que nos pode servir de exemplo para muitas coisas na nossa vida
By Mercês Gonçalves

domingo, fevereiro 18, 2007

MUSICA SEMANA 08

5 minutos de boa música gravada ao vivo num baile de fim d'ano ( 1988) em Tondela e tocada pelo famoso conjunto de Seia " O Diapasão". Esta música esteve muito em voga em Bragança nos bailes do Sº João e Sº Pedro no ano de 1963 . Como é que eu passei d'ano ?!?!?!

sábado, fevereiro 17, 2007

Aproveitai este fim de semana

Para todos os Colheiteiros e Amigos, em especial os que vivem em Lisboa, não esquecendo as minhas filhas, netos e genros

Hoje por aqui é assim ... Feira do Queijo


Tenho muito pena que nenhum dos Colheiteiros tenha vindo a Seia, para visitar a Feira e simultaneamente visitar esta linda Terra e arredores. Só temos 60 anos, toca a sair da "toca"vamos visitar os n/amigos e desanuviar.
Para v/consolação, mostro-vos as famosas sandes de queijo que foram, gratuitamente distribuídas durante a Feira a todos os visitantes.
Na 1ª foto o stand dos famosos Queijos Matias, várias vezes galardoados com 1ºs prémios, em Itália, Espanha, Alemanha e outros países.
Queijo de altíssima qualidade, fruto dos conhecimentos da Família Matias e especialmente do meu amigo Eng.º Matias( a quem daqui envio um forte abraço de parabéns) que podemos ver com o cachecol no seu stand. Já agora, quem o quiser comer vem cá ter comigo, quem o quiser provar vai ao gourmet do Corte Inglês e desembolsa a bela nota. Até pró ano.

CARNAVAL: máscaras para o M.C.


Scarletezinha mascarada para vir passar o carnaval ao Estoril

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Lares da 3ª idade....

Bom conselho...
É tempo de começar a pensar na reforma MEUS AMIGOS, vou fazer o mesmo.Tem paciência e lê esta história.......

"A Velhinha do Cruzeiro"
Minha esposa e eu viajávamos num cruzeiro pelo Mediterrâneo a bordo de um transatlântico da empresa Princess.Durante o jantar notamos uma senhora velhinha sentada perto da varanda do restaurante principal. Notei também que todo o pessoal, a tripulação do barco, garçons, ajudantes dos garçons, etc. estavam muito familiarizados com ela.
Perguntei ao garçom que nos atendia quem era aquela dama, e esperava que respondesse ser ela a dona da companhia de cruzeiros, mas respondeu que não.Ela apenas estava a bordo nas últimas 4 viagens, ida e volta .
Uma tarde, quando estávamos saindo do restaurante, cruzamos com ela e aproveitei para cumprimentá-la. Conversamos um pouco e passado um tempo lhe disse:"Pelo que entendi a senhora tem estado neste barco nas últimas 4 viagens".Ela me respondeu:"Sim, é verdade".
Disse a ela que não entendia a razão e ela me respondeu, sem pensar:"É que sai mais barato que um asilo para velhos nos Estados Unidos. Não ficarei num asilo nunca e de agora em diante fico viajando nestes cruzeiros até à morte. O custo médio para se cuidar de um velho nestes asilos é de 200 dólares por dia. Verifiquei com o deptº de reservas da linha Princess que posso obter um desconto quando compro os cruzeiros com bastante antecipação mais o desconto para pessoas de mais idade, chegando a 135 dólares por dia.A viagem me sai 65 dólares diários e mais:
>1) Pago só 10 dólares diários de gorjetas.
>2) Tenho mais de 10 refeições diárias se quero ir aos restaurantes, ou posso ter o serviço na minha cabine, o que significa dizer que posso ter o café da manhã na cama, todos os dias da semana.
>3) O barco tem 3 piscinas, um salão de ginástica, lavadoras e secadoras de roupa grátis, biblioteca, bar, Internet, cafés, cinema, show todas as noites e uma paisagem diferente cada dia.
>4) Creme dental, secador de cabelo, sabonetes e shampoo grátis.
>5) Te tratam como cliente e não como paciente. Com uma gorjeta extra de 5 dólares, terás todo o pessoal de serviço trabalhando para te ajudar.
>6) Conheço pessoas novas a cada 7 ou 14 dias.
>7) A TV estragou? Necessitas trocar a lâmpada? Quer que troquem o colchão?Não tem problema. Eles consertam tudo e te pedem desculpas pelos inconvenientes.
>8Lavam a roupa de cama e as toalhas todos os dias, e não tens que pedir.
>9) Se voce cai num asilo de velhos e quebra a bacia, tua única saída é o plano médico. Se cair e se machucar em algum barco da empresa Princess, vão te acomodar em uma suite de luxo pelo resto da tua vida. "
........Agora vou te contar o melhor que tem as empresas Princess.
Queres viajar pela América do Sul, Canal do Panamá, Tahiti, Caribe, Austrália, Mediterrâneo, Nova Zelândia, pelos fjords, pelo rio Nilo, Rio de Janeiro, Ásia?Só menciona aonde queres ir.A Cia. Princess está pronta para te levar.Por isto, depois desta leitura, meus caros amigos e amigas, não me procurem num asilo para velhos.(se eu chegar a velhinhaa....rsrrsrsr).Viver entre ... 4 paredes ... E um jardim ... Como paciente de hospital, ...
No thanks!!! eu já me decidi......a partir de 2ª feira já vou saber
como é. Hãaa, ia esquecendo,
Se morres,atiram-te ao mar sem nenhum custo adicional.
(pensa bem no assuto)
By Mercês Gonçalves

Hoje por aqui é assim ... Carnavais em Bragança

Passei uns 25 carnavais em Bragança, desde o 1 ano até aos 27 com poucas falhas ,que me recorde ,os 2 anos que estive na guerra. Bragança não tinha qualquer tradição de carnaval organizado ( desfiles) mas tinha uma, para mim muito melhor, que era a amostra verdadeira do povo. Até aos 15, 16 anos passava a tarde de terça-feira na Praça da Sé, aonde afluíam sem qualquer ordem ou comando os genuínos "caretos" vindos da Vila, Além do rio, Batocos, Loreto, Mãe d'Àgua etc, que apesar de tudo , alguns já afrontavam de maneira tímida o poder e com piadas engraçadas. Andava no 4º ano e alguém ( não tenho a certeza se o foi o Praça) deitou um "peido engarrafado" na aula do Drº Chico Faria, ficou fulo,põs-nos a todos na rua. Não posso esquecer a "Morte e o Diabo" que principalmente na quarta feira de cinzas assolavam as raparigas namoradeiras de Além do Rio e dos Batocos com as suas veste muito elucidativas. Nós víamo-los da cerca do Liceu quando subiam aquela caminho da Srª da Piedade, cuja encosta hoje está muito bonita.
Na fase seguinte, depois dos 16, ía aos bailes do Centro ( quando me deixavam entrar, pois não entrava quem queria, mas quem "eles" queriam) e da Associação ( baile das sopeiras, dizía-se ) . Era sempre a andar desde sábado até terça inclusivé. Estudos nada.
Mas o melhor que passei, foi sem dúvida o meu último de solteiro. Trabalhava em Macedo de Cavaleiros no Banco, vivia em Bragança e namorava a minha mulher Mira. Estava em Bragança no quartel o Américo Paula, capitão do exército ( colheita62) e passámos todo o carnaval na Puebla da Sanábria, sábado, domingo, segunda e terça, apenas vinhamos na segunda de manhã para trabalhar e regressávamos á tarde. O tempo estava muito bom, ressacávamos na praia do lago, na areia, mesmo em frente á aldeia de Ribadelago, aonde dormíamos !!!
A Mira foi passar o Carnaval com os Pais, pois estava de férias.







CRÓNICA DE SEXTA-FEIRA (13ª)


O poder da mente

Na pretérita semana li um livro, intitulado O Livrinho do Poder da Mente de Uri Geller. O título é muito penetrante e estimulante, em virtude do nosso frenético e intenso quotidiano.
Esta obra documenta uma panóplia de afirmações oriundas de “autoridades” que, no decurso da História, se avultaram nos planos político, cientifico, social e filosófico. São os casos de: Nelson Mandela, Henry Ford, Sigmund Freud, A. J. Ayer, William James e Anne Frank. Para condimentar esta crónica, e para fermentar o gosto pelo raciocínio e reflexão, decidi propalar as dez principais técnicas para recarregar o poder da mente, segundo Uri:

-Conceda espaço à descontracção. O stresse pode abafar a sua voz interior.
-Imagine-se a si próprio num calmo idílico. Observe-o, cheire-o, respire-o. Sonhe com ele.
-Torne esse idílio o seu prazer secreto. Os outros não saberão dizer em que momento você penetrou neles.
-Explore o seu idílio e deixe a sua beleza impregná-lo, de modo a poder regressar a ela num instante.
-Escolhe um cristal e mantenha-o junto do coração – o cristal amplifica a energia humana.
-Repita as seguintes palavras três vezes no se calmo idílio: «A minha mente está cheia de poder.»
-Repita as seguintes palavras três vezes no seu calmo idílio: «Eu alcançarei o meu objectivo.»
-Repita as seguintes palavras três vezes no seu calmo idílio: «Eu serei bem-sucedido.»
-Nunca permita que transgressores trocem do seu idílio ou o amesquinhem. Ele é seu e apenas seu.
-Retorne ao seu idílio e repita frequentemente os seus propósitos, até que o Poder da sua Mente resplandeça e irradie. Se o fizer, você poderá atingir um perfeito estado de paz mental.

By Afonso Leitão

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

A pedido

Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

Vinicius de Moraes


PS - falta o Hélder voltar a colocar esta canção em fundo!

Aqui vai

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Grandes Portugueses - Os nossos poetas mortos

Hoje, convido-vos a lembrar (e a "navegar" numa pequena amostra da sua poesia) dois enormes (poetas) portugueses que morreram recentemente: Mário Cesariny de Vasconcelos e Fiama (em italiano, Chama) Hasse Pais Brandão.

Desta, diz Octávio Sérgio Azevedo no seu blogue Guitarra de Coimbra: "Preferiu a poesia ao palco, não no sentido do vero teatro, no qual também deixou obra de registo, mas no de uma atitude em que a poesia se basta a si mesma, e nisto tem a perene vitalidade que dispensa modismos de adrenalinas injectadas a gosto. Tão universal no princípio como no seu último verso, que fica sempre como mote para um recomeço de um breve fechar de pano. A vida bastou-lhe como afirmação."
Mas não deixou de intervir na nossa realidade colectiva. É dela este belíssimo poema de 1967, em tempo de guerra colonial, que todos conheceis cantado pela linda e límpida voz de Adriano Correia de Oliveira, e que glosa um outro poema - cantiga de amigo de João Zorro - dos primórdios da nossa literatura: Barcas Novas.

Barcas Novas

Lisboa tem suas barcas
agora lavradas de armas

Lisboa tem barcas novas
agora lavradas de homens

Barcas novas levam guerra
As armas não lavram terra

São de guerra as barcas novas
ao mar deitadas com homens

Barcas novas são mandadas
sobre o mar com suas armas

Não lavram terras com elas
os homens que levam guerra

Nelas mandaram meter
os homens com sua guerra

Ao mar mandaram as barcas
novas lavradas de armas

Em Lisboa sobre o mar
armas novas são mandadas


Sobre Cesariny, transcrevo o que escreve Pedro Mexia no suplemento "6.ª" do DN, publicado pouco depois da sua morte e em sua homenagem: " Se o lirismo português tem sido muitas vezes plácido ou escapista, Cesariny usou um lirismo incomodativo, com o sublime e o escárnio convivendo ombro a ombro. (...) "Pastelaria" reabilita o real quotidiano contestando o real e o quotidiano. O poema está cheio de insolências, escandalizando os literatos (...) e os ideólogos (...). O real não é simplesmente o real que nos é dado, mas aquele que inventamos. Essa "realidade surrealista" nasce, como vemos, do protesto, de uma recusa em aceitar o leite azedo, como outros aceitam o seu triste quotidiano. (...)Em "Pastelaria" vejo ao mesmo tempo o gesto de quem abraça a realidade mas não se confunde com a realidade que existe. (...) E a ousadia maior é a que está no poema: não recusar o copo de leite mas protestar se o leite está azedo. É esse o riso admirável que devemos a Mário Cesariny."


PASTELARIA

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos
frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Mário Cesariny de Vasconcelos, 1991

Cartas do Capitão

Vai hoje iniciar no n/blogue, uma rúbrica intitulada "Cartas do Capitão" o conhecido escritor Bernardino Louro, meu amigo de longo data e camarada de armas, pois foi meu Capitão nas guerras de Angola. Como sabeis já escreveu para nós alguns textos, que muito nos deliciaram, e agora com a sua colaboração ficaremos mais enriquecidos. Obrigado.
Quem quiser saber mais sobre ele e sua obra consulte http://senamor.blogspot.com.
Nesta altura da minha vida há muito poucas coisas, ideias ou até teorias que me possam deixar de boca aberta. Não digo isto por presunção ou mesmo vaidade. Vivo. Aprendo diariamente com a vida. E o que é mais espantosos aprendo com mestre que nunca foram mestres, nem mesmo o quiseram ser. Aprendo vivendo. Aprendo serenamente pois procuro ter os olhos abertos.
Mas se já não corro a foguetes há muitas coisas que me emocionam. Coisas que por virem de dentro me comovem e até me confundem.
São essas as coisas simples da vida. Sobretudo, a coerência e a lealdade a uma ideia, a uma fé, a uma amizade, ou mesmo a uma mulher. Verificar que passados anos, modas, estios e vendavais, as árvores continuam de pé e há homens que, como as rochas e as fragas, resistem e envelhecem.
Todas estas ideias me acudiram quando quis escrever sobre um amigo, um companheiro, e porque não dizê-lo: um irmão que me acompanha me estima e agasalha, há mais de quarenta anos.
Conheci-o quase menino. Ao meu lado e durante mais de dois anos vivemos a incerteza, os perigos e as incomodidades duma guerra. Vimos morrer e a morte bem de cerca. Enxugámos lágrimas, as nossas e as de outros bem próximos de nós. Fomos e voltámos. Crescemos, vivemos, amamos e até fomos felizes pelos caminhos da vida. Construímos famílias e hoje, já com os cabelos bem brancos, vemos os netos crescer também e os nossos dias minguando. As nossas histórias são as de toda a gente. Por honrados, somos gente comum. Gente feliz.
Pois bem. O exemplo do meu amigo Hélder Barreira, homem rude e terno, como são as fragas da sua terra, muito para lá dos montes, consola-me a alma e faz-me acreditar no Homem e na Amizade.
Ele é e continuará a ser fiel à mesma mulher, às suas convicções, aos seus ideais, à sua memória, às pedras que o viram nascer, e àqueles, como eu, que têm a felicidade de ser seus amigos.
Estas páginas, os variados depoimentos e os milhares que por aqui têm passado ou que a esmo aqui se vão encontrando são disso a prova provada. Neste canto da amizade todos cabemos e mesmo discordando, vamo-nos enriquecendo e também ficando cada dia mais velhos.
Agora mesmo dei conta de que estou de boca aberta!




Nota: Quando escrevi o preâmbulo não tinha conhecimento do conteúdo do texto.Somos aquilo que os olhos de cada qual nos vêem. Obrigado.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Passeio Virtual

Só possível na net e com a preciosa colaboração da "Outra Colheiteira" Mercês Gonçalves. Obrigado

Dia dos namorados!



Mais uma "invenção" consumista dos States!

"Amo-te"! e vamos à lua.

"Não te amo"! é o fim do mundo.

Para quem não tem um amor desejo, neste dia, um encontro feliz. E que desse encontro nasça um GRANDE AMOR!




4º Encontro Colheita 63

Para os devidos efeitos e a pedido de várias famílias a data prevista para a sua realização é o último fim de semana de Maio ou o 1º de Junho. Oportunamente o Medeiros confirmará a data e o respectivo programa. Como sabeis é organizado pelo Medeiros e será em Tomar. Até lá um abração para todos

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Para que conste!

Em Democracia é tão digno ganhar como perder!

Amanhã é dia de S. Valentim

A história do Dia de São Valentim remonta um obscuro dia de jejum da Igreja Católica, tido em homenagem a São Valentim. A associação com o amor romântico chega depois do final da Idade Média, durante o qual o conceito de amor romântico foi formulado.
O dia é hoje muito associado com a troca mútua de recados de amor em forma de objectos simbólicos. Símbolos modernos incluem a silhueta de um coração e a figura de um Cupido com asas. Iniciada no século XIX, a prática de recados manuscritos deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos em massa. Calcula-se que, mundo afora, aproximadamente um bilhão de cartões com mensagens românticas são mandados a cada ano, tornando esse dia um dos mais lucrativos do ano. Também se estima que as mulheres comprem aproximadamente 85% de todos os presentes.
Para os solteiros é um dos dias mais deprimentes do ano!

Para todas as Colheiteiras e mulheres dos Outros Colheiteiros

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Para ti MULHER... uma rosa!


Hélder:

Rosas para a mulher que amas, nem que seja noutra vida!


Adolfo Correia da Rocha

Flecha

Seta de um arco tenso disparado
Vou cego e apontado
Ao alvo que o destino me destina.
Ali termina,
Inglória,
A curva trajectória
Da minha vida.
Insólita aventura,
Tão breve, tão impura,
Tão absurdamente acontecida!

Miguel Torga, Diário (IX - XVI), pág.1179

Os nossos...na montra


O casal Penedos ( Levinda e Zé) no 67º aniversário do Mensageiro de Bragança. Que bem que estão . Um grande abraço da Colheita63

Quem perdeu?









A ICAR e Marcelo Rebelo de Sousa

Quem ganhou?


José Socrates e, principalmente, as portuguesas e os portugueses!

MUSICA 7ª SEMANA

Depois do resultado do referendo achei esta música própria, tanto para os adeptos do sim como do não.
É uma semana para "Meditation"
"Mozart"

domingo, fevereiro 11, 2007

Referendo


SIM - 59.25 %

NÃO - 40.75 %

Abstenção - 56,39 %

Apesar de não ser juridicamente vinculativo, é-o politicamente, como foi em 1998 relativamente ao NÃO.

Em 1998:
SIM - 48.70%
NÃO - 51.30%
Abstenção - 68.09%.

Feira do fumeiro


Lá estive, lá estivemos.
Uma sopa de perdiz excelente. As cascas e o botelo de primeira.
Conversamos, rimos, brincamos!
Paisagem linda, gente simpática, fumeiro de fazer crescer água na boca, e amigos ÚNICOS!
Enfim: VINHAIS!


Hoje por aqui é assim ....Vinhais

Só para vos causar inveja !!!
Aqui estão os 3 colheiteiros presentes na Feira em Vinhais. Como n/companheiro e também visitante o Tony Machado ( ilustre médico em Bragança) que pertence á Colheita65 ou 66. Não vi o Jorge Tomé ( telefonei umas 5 vezes, mas estava desligao) . A Feira estava óptima, cada ano que passa, melhora a olhos vistos e os enchidos estavam muito bons , Até pró ano.

O Homem perfeito

By Gélica Borges

COLHEITA 63 -Ciências

Grande e bom amigo de longa data. Um grande abraço

sábado, fevereiro 10, 2007

SONDAGEM SOBRE REFERENDO



Caros colheiteiros:

Como já vai sendo habitual, todos Sábados compro e leio, com grande interesse e espírito crítico, o semanário SOL. Sem estupefacção, o jornal patenteia uma sondagem nacional SOL/ TNSeuroteste que revela uma límpida vitória do SIM (59%) sobre o NÃO que obteve 41%.

Análise:

O NÃO triunfa no Porto e no Norte, contudo perde claramente em Lisboa, no Centro e no Sul. Curiosamente, subsistem mais mulheres do que homens a votar NÃO.
Outros factos curiosos: cerca de 78,7% dos inquiridos não vai mudar o seu sentido de voto, relativamente ao referendo perpetrado em 1998. Consequentemente, 11,1% irá alterar o seu voto, enquanto que 10,2% não votará.
Nesta abordagem estatística, houve ainda uma aprazível abertura dos inquéritos a três temas insólitos e ambíguos das sociedades ocidentais: i) eutanásia; ii) casamento entre homossexuais; iii) adopção por casais homossexuais. Os resultados são taxativos:

Eutanásia:
Concorda (50,3%)
Discorda (31,5%)
Ns/ Nr (18,2%)

Casamento entre homossexuais:

Discorda (50,4%)
Concorda (35,4%)
Ns/ Nr (14,2%)


Adopção por casais homossexuais:

Discorda (60,3%)
Concorda (29,7%)
Ns/ Nr (10,0%)

Em síntese, há conformidade na opinião dos portugueses relativamente a estes aspectos que não deixam de ser controversos e de difícil interpretação quanto mais numa sociedade que percepcionava mais tradicionalista.

By Afonso Leitão

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

CRÓNICA DE SEXTA-FEIRA (12ª)

Salazar e Cunhal

António de Oliveira Salazar é um dos primaciais vultos da História política de Portugal, tendo sido o homem que mais tempo assumiu o poder português no século XX, tendo desempenhado ao longo dos tempos, dissemelhantes cargos: Ministro das Finanças, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Ministro da Guerra e Presidente do Conselho, em 1932. Este “colosso” perfilou, durante décadas, um País arcaico, anacrónico, rural e repressivo que teve como primordial pano de fundo o autoritarismo.
Álvaro Barreirinhas Cunhal é o famoso militante do PCP que pugnou contra o regime salazarista e que, fruto da sua personalidade vincada, fermentou não só simpatia dos militantes do seu partido, mas também o respeito da sociedade portuguesa. Cunhal é um paladino do regime soviético e da doutrina marxista-leninista. Para corroborar esta linha de pensamento, o líder comunista apoiou acerrimamente a invasão da URSS à Checoslováquia, num período em que se sobrelevava uma efervescência de descontentamento à prepotência política, económica e ideológica do Estado Soviético. Por seu turno, o 25 de Abril clarificou duas teses: I) Cunhal não acreditava, de facto, na Democracia pluralista (disse-o numa afamada entrevista à jornalista italiana Oriana Falacci) e II) lutava por um outro regime, como também o demonstrou durante o período subsequente à Revolução dos Cravos.
A notícia, no dia 27 de Janeiro publicada no semanário SOL, de que Salazar e Cunhal lideram as escolhas dos votantes para Os Grandes Portugueses do programa da RTP provocou em mim sentimentos angustiantes. Salazar e Cunhal, porquê? Que ideia erigiram os votantes, acerca da História do seu país, para colocarem como primeiras escolhas homens tão avessos aos Direitos do Homem, às liberdades, à justiça e ao equilíbrio das sociedades do século XX? Sabendo que em países, como a França e a Inglaterra, com um programa com estas similitudes triunfaram personalidades democráticas (De Gaulle e Churchill, respectivamente) relacionadas com a reconfiguração dos seus territórios após a II Guerra Mundial, como é que em Portugal podem vencer dois antidemocráticos? Que posição ocupa, nestas circunstâncias, a nossa zelosa Democracia?
By Afonso Leitão

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

10.000

Também eu não esperava um resultado tão efusivo como este: 10000. Acredito que chegaremos humildemente aos 20000 em Agosto. Aprecio muito este espaço por um conjunto de razões: 1) convívio entre gerações; 2) diversidade de informação e conhecimentos; 3) uma oportunidade de me emancipar na medida em que é decisivo para o meu desenvolvimento como estudante e como pessoa.
Este espaço, pela mão do meu Tio, abriu portas a uma oportunidade única: publicar uma crónica semanal da minha autoria acerca dos mais diversos temas nacionais e internacionais. Devo confessar que quando escrevo a crónica, normalmente à 4ª feira, amplio de uma forma extraordinária a minha cultura literária e até desenvolvo competências ao nível da estrutura textual.
Não posso deixar de agradecer o incentivo sempre demonstrado pelos colheiteiros: Dr.ª Lena Pires, Dr. Osório Duarte, Dr. Manuel Carvalho, Coronel Vítor Barata (Karet), Sr. Bartolomeu OLD e a minha querida prima Graça Barreira (que além de ser minha prima é também minha comadre e madrinha).
Em síntese, posso-me considerar também um colheiteiro, não é?
Continuação de um grande sucesso para o blogue.

By Afonso Leitão

Há Curas e Curas...

Padre Manuel Costa Pinto vota "sim" "sem qualquer dificuldade"
07.02.2007 - 23h04 Lusa

O padre de Viseu Manuel Costa Pinto disse hoje que votará "sim" no referendo do próximo domingo porque entende que devem acabar "a humilhação das mulheres em tribunal" e "o verdadeiro infanticídio" a que obriga a lei actual.

Visitante 10.000

Nunca pensei quando fundei o blogue, que passados menos de 5 meses pudesse atingir as 10.000 visitas. Pois é verdade , iniciámos dia 15/09/2006 e hoje dia 8/02/2007 devemos atingir a marca 10.000. O prometido é devido e o Colheiteiro que for a visita 10.000 terá um fim de semana na Serra da Estrêla, como quem diz, em minha casa em Seia.
Comecei do zero, não fazia a mínima ideia do que era isto e como funcionava. Acho que os progressos são evidentes e isso deve-se essencialmente a vós Colheiteiros que muito, muito, tendes contribuído para a minha evolução, tanto a nível de artigos como de comentários que têm sido uma maravilha.Não posso esquecer a Teresa e o Osório (Duarte) que desde sempre me apoiaram, acedendo a ser colaboradores tendo escrito artigos de muito interesse e qualidade. Espero que à medida que o tempo passe mais Colheiteiros aceitem o desafio.
Sugiro que tenhais atenção ao lado direito do Bolgue que, na minha opinião, tem muito interesse.
Obrigado a todos.

Mais uma do nosso Niso ...



Publicado no Jornal "Voz do Nordeste" de 6/01/2007
By Jorge Tomé
Nota: Grande Niso, um grande, grande abraço.
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Hoje faz anos uma... "Outra Colheiteira"

É a Mercês, esposa do Niso e cunhada da Gélica. Que se repitam por muitos e bons anos . Beijos de parabens nossos.


Parabens da Colheita63

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

SIM e NÃO

José Vitor Malheiros

«A primeira confusão [dos adeptos do não] é de fundo, é voluntária e tem sido explorada na propaganda. O "não" apresenta-se como se fosse o "não ao aborto" e como se os outros fossem seus apoiantes. Mas o referendo, como tem sido dito até à exaustão, é apenas sobre a despenalização e apenas em certas circunstâncias. Ninguém pretende uma promoção do aborto. É má-fé sugerir o contrário. Mesmo que o "não" ganhasse por cem por cento no dia 11 não haveria por isso um aborto a menos do que há hoje. O "não" no referendo não é um "não ao aborto".»

terça-feira, fevereiro 06, 2007

PINTURAS DA LEVINDA

A pedido de várias famílias aí vão outra vez as pinturas da Levinda, agora em nova versão.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Ao cair do dia....


Ontem na praia de St.Amaro de Oeiras ao cair do dia , estes dois meninos. Com o mar por fundo , tomámos um café, falámos dos tempos antigos e actuais, pusémos a escrita em dia. Aproveitei para meter mais o bicho de bloguista ao Manel . Gostei muito de te ver, um grande abraço.

Vaca Desaparecida

Segundo fontes dignas do maior crédito, a grande vaca leiteira que desde o início do campeonato deste ano pastava na relva do Estádio da " 2ª Circular" -Colombo- desapareceu do mesmo, deixando todos os " lampiões" em péssimas condições de visibilidade. O Grão-Mestre dos mesmos
comentando o evento, apenas pediu ao Papa para que caso a vaca apareça não seja levado para o "Dragão", admitindo que seja encaminhadapara a antiga Porcalhota (hoge denominada Amadora),
caso não regresse às origens.
Do "lagartão" Isaías.

A TODOS OS COLHEITEIROS 63

E principalmente aos residentes na zona da Grande Lisboa....
Informou-me a Levinda que um casal n/contemporâneo, embora com mais 2 ou três anos do que nós, Manuel Fernandes e Alice Correia , antigos alunos do n/Liceu,

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estão a organizar um jantar de antigos alunos . O jantar realiza-se no dia 9 do corrente mês no restaurante do Clube House Park, junto aos Terraços de Mira Flores, pelas 20 horas. A direcção é Rua António Loureiro Borges nº 12 - Mira Flores. Quem quiser e puder ir, deve contactar a Levinda até dia 8 . Tenho pena não estar presente, pois outros valores mais altos se levantam,mas sei que dentro dos presentes vai estar uma pessoa que eu gostaria muito de ver. Que tudo corra bem.

A DIREITA é assim!


A direita de Aznar esteve 10 anos no poder com maioria absoluta.
Não conseguiu acabar com a ETA.
Agora vem dizer, cobardemente e hipópcritamente, que a ETA, PSOE e Zapatero são responsàveis pelo atentado de 11 de Março.
Como se pode ver no cartaz mesmo atrás de Aznar.

Para a direita vale tudo!

domingo, fevereiro 04, 2007

Hoje dia 5 faz anos uma "Outra Colheiteira"

É a Victória (Bibi) esposa do Isaías . Um grande beijo de parabéns

MÚSICA SEMANA 6 - Summertime

Para aquecer...

Lá fora, a morte saiu à rua, de novo!


Atentado provoca mais de 130 mortos em Bagdad
Abel Coelho de Morais

Um atentado suicida com um camião carregado de explosivos provocou ontem mais de 130 mortos e 300 feridos no mercado de uma zona xiita na capital iraquiana.

sábado, fevereiro 03, 2007

O "PEQUENO PROBLEMA" DAS MULHERES PORTUGUESAS...

«Havendo referendo, ou seja, uma escolha com significado político, é natural que haja debate público, que haja um contraditório a favor do convencimento das decisões e do voto. No entanto, nunca como agora eu desejaria que este referendo fosse silencioso, que este debate fosse quase inaudível, que ele pudesse ser feito quase por telepatia, por gestos subtis, sem voz, nem escrita, nem imagem. Tomem isto como uma metáfora, ou seja, não à letra, mas serve para dizer outra coisa que me parece mais importante.
Esta absurda cacofonia em que partidários do "sim" e do "não" esgrimem argumentos, opiniões, acusações, cada vez num tom mais alto, mais agressivo, mais descuidado, mais displicente, mais para se ouvirem do que para serem ouvidos, parte do princípio de que o essencial neste referendo é convencer.
Duvido que alguém se convença nesta matéria, a não ser por rejeição - votava duma maneira mas ficou tão indignado(a) com uma frase ou uma atitude que passou a votar doutra. Talvez todos estes excessos possam servir marginalmente para mobilizar para o voto, embora duvide muito da sua eficácia, penso até que favorece mais a abstenção do que a mobilização. Posso estar enganado, são só impressões, não servem para nada.
Fique já bem claro que eu gosto do som e da fúria da política. Não tenho nenhuma das manias elegantes e preciosas de quem pensa que a política é só cumprimentos amáveis e frases subtis. Não sou dessa escola, nem me apanham na defesa de salamaleques de salão ou na condenação de compromissos e dedicações de quem está activamente nesta campanha.
(…)
O que me desagrada nesta campanha - feita mais para os homens do que para as mulheres - é que ela passa ao lado, mais do que isso, desrespeita, ignora, menospreza, o carácter essencialmente existencial, vivido, do problema do aborto. É por isso que o aborto é mais uma questão das mulheres, como é a maternidade, e não é totalmente extensível e compreensível aos homens. Este é um dos casos que esquecemos muitas vezes, quando achamos que a igualdade é algo de adquirido sob todos os aspectos, e que tem a ver apenas com a sociedade, a economia, a cultura e o direito.
Não, pelo contrário, há desigualdades, "diferenças" no dizer politicamente correcto, estruturais entre os seres humanos, uma das mais fundamentais é a que a maternidade introduz entre homens e mulheres. E para as mulheres, que, quase todas, ou abortaram ou pensaram alguma vez em abortar, ou usam métodos conceptivos que à luz estrita do fundamentalismo são abortivos, o aborto de que estamos a falar neste referendo não e uma questão de opinião, argumento, razão, política, dogmática, mesmo fé e religião. Também é, mas não só. É uma questão de si mesmas consigo mesmas, íntima, própria, muitas vezes dolorosa e nalguns casos dramática. Não é matéria sobre que falem, se gabem, argumentem ou esgrimam como glória ou mesmo como testemunho.
Não é delas que vem esta estridência, nem é por elas que vêm os absurdos do telemóvel, do pinto, do ovo, do Saddam Hussein, do coraçãozinho. É mais provável que sintam tudo isso mais como insultos do que como argumentos que lhes suscitem a atenção. No seu silêncio votarão ou abster-se-ão, mas é por elas, por si, pelo seu corpo, pelos seus filhos, pelo seu destino, pela sua vergonha, pela sua dor, pela sua miséria, pelas suas dificuldades económicas, pela sua vida, pelos seus erros, pelas suas virtudes.
É verdade que, como em todas coisas, há irresponsabilidades, há mulheres irresponsáveis nos abortos que fazem, como nos filhos que fazem, mas duvido muito que sejam a regra. A regra é que aborto é sofrimento, físico e psicológico, e é sobre esse sofrimento que vamos votar. Eu vou votar sim, mas admito que, exactamente com a mesma consciência do mesmo problema, haverá quem vote não.
Mas os moderados, estranha palavra rara no meio desta estridência, não podem deixar de recusar este folclore que infelizmente nalguns casos torna príncipes da Igreja igualzinhos ao Bloco de Esquerda e vice-versa. Se percebêssemos esse silencio interior da maternidade, mesmo quando dilacerada pelo aborto, seríamos menos arrogantes, menos estridentes, menos obscenos nas campanhas.»
J. Pacheco Pereira, "Público", 25/01/07

UMA PERGUNTA

"Uma pergunta directa para uma resposta honesta

A pergunta a que vamos responder no referendo do próximo dia 11 é compreensível para qualquer pessoa que saiba ler e isso é algo que nenhum contorcionismo político ou gramatical poderá mudar. "Concorda com a despenalização..." A despenalização é, evidentemente, a palavra-chave desta pergunta. É talvez surpreendente, mas o referendo do próximo dia 11 não é acerca de quem gosta mais de bebés, tal como não é acerca de quem mais respeita o sofrimento das mulheres. A pergunta do referendo também não é "dê, por obséquio, o seu palpite acerca de quando é que a alma entra no corpo dos seres humanos", matéria que sempre intrigou os teólogos. Não é acerca de quem gosta de fazer abortos e quem gosta de dar crianças para orfanatos. Por isso e acima de tudo, devo confessar que sofro de cada vez que ouço na televisão jornalistas falarem dos dois campos em debate como o "sim ao aborto" e o "não ao aborto".

Numa pergunta que começa com aquele "concorda com a despenalização", os dois votos possíveis não se dividem em pró-aborto e antiaborto, e muito menos pró-escolha e pró-vida. Os que respondem "sim" à pergunta são "pró-despenalização". Os que respondem "não" são "pró-penalização" (ou "antidespenalização", o que é forçosamente ser a favor da penalização). Tudo o mais é responder com alhos a uma pergunta sobre bugalhos, e qualquer chefe de redacção deveria saber isso. "... da interrupção voluntária da gravidez...". Até agora sabemos que a pergunta é sobre despenalizar, mas ainda não falámos de quê. Há quem tenha problemas com a expressão "interrupção voluntária da gravidez" por considerá-la um eufemismo, mas acontece que é a fórmula correcta para designar um aborto não-natural, não-espontâneo.

Mesmo assim, isto não atrapalha o debate: toda a gente parte do princípio de que IVG é aquilo que, em linguagem corrente, genérica e imprecisa, chamamos "aborto". Os problemas surgem quando nos aproximamos da segunda parte da pergunta. "... se realizada, por opção da mulher". No mundo real, o que quer dizer esta parte da pergunta? Quer dizer que a concordância com a despenalização da IVG deve ser dada (apenas e só) no pressuposto de que ela seria realizada por opção da mulher. Basicamente, significa que se uma mulher for forçada a abortar por uma terceira pessoa, esse aborto é crime e essa tal terceira pessoa será punida. Quer dizer que, se fulano apanhar uma mulher grávida, a anestesiar e lhe interromper a gravidez, não poderá eximir-se respondendo que "o aborto foi despenalizado", precisamente porque graças à segunda parte da pergunta o aborto só é despenalizado se for por opção da mulher. No mundo do "não", porém, esta parte da pergunta é a que causa mais engulhos. Percebe-se porquê. "Por opção da mulher"? A mulher, grávida de poucas semanas, a tomar uma decisão? Sozinha? Deve haver aqui qualquer coisa de errado.

Quando se lhes retorque que não poderia ser por opção de outra pessoa, e se lhes pergunta quem queriam então que fosse, a informação não é computada. Algures, de alguma forma, teria de haver alguém mais habilitado para tomar a decisão. O pai? O médico? O Estado? Então e se qualquer deles achasse que a mulher deveria abortar, contra a vontade desta? Pois é. É precisamente por isso que aquele inquietante "por opção da mulher" ali está. "...nas primeiras dez semanas...". Aborto livre, grita o "não"! Aqui está a prova, o aborto é livre até às dez semanas! Ora, meus caros amigos, o limite de dez semanas significa precisamente que o aborto não é livre... Ou o facto de só se poder andar até 50 quilómetros por hora dentro de uma localidade significa "velocidade livre"? Não faz muito sentido, não é verdade?

Enquanto digerem esta pergunta, os adeptos do "não" mudam de estratégia. Então o que acontece às 11 semanas? E o que acontece, meus amigos, quando se anda em excesso de velocidade? É-se penalizado, e a penalização vai-se agravando quanto maior for o excesso de velocidade. Isso quer dizer que, nos pressupostos da pergunta, o aborto não é livre. Não era esse o problema? "... em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?" Esta parte final é tão clara que vou poupar palavras. Um "estabelecimento de saúde" quer dizer que não é um estabelecimento desportivo, e "legalmente autorizado" quer dizer que não é ilegal, ou que não é legalmente desautorizado, se tal coisa existisse.

Mas vale a pena notar o que "legalmente autorizado" não quer dizer. Não quer obrigatoriamente dizer do Estado, mas também não quer dizer privado, particular, ou o que seja. Quer dizer apenas que é num estabelecimento de saúde conforme com os procedimentos legais e que foi expressamente autorizado para a operação em causa.Não há melhor barómetro da má-fé neste debate do que dizer que estamos em face de duas perguntas diferentes, ou até duas perguntas de sinal contrário (uma legítima, a outra capciosa), tentando fazer passar a ideia de que a "segunda pergunta" de alguma forma perverte a primeira, rompendo com ela. Não há aqui primeira nem segunda pergunta: há apenas uma pergunta, que se refere a determinadas condições, condições essas que qualificam e restringem o âmbito da questão. Dizer o contrário disto não é só má-fé, é principalmente má-lógica: se a segunda metade da pergunta está contida na primeira, ela não pode ser mais aberta do que a anterior. Como é natural e faz sentido, cada passo da pergunta a fecha um pouco.

Dizer que é "despenalização da IVG" significa que não é despenalização de qualquer outra coisa, dizer que é "por opção da mulher" significa que não é por opção de qualquer outra pessoa, dizer que é até "às dez semanas" significa que não é sem qualquer limite, dizer que é "em estabelecimento de saúde" significa que não é no meio da rua, e dizer que a pergunta se refere a um estabelecimento de saúde "legalmente autorizado" significa que não pode ser no dentista, ou na farmácia, ou no ginásio. Tudo o resto é apenas uma desculpa para não se assumir as responsabilidades do voto. Pessoalmente, não vejo nesta pergunta nada que não me agrade, e vejo muita coisa que me agrada.

É uma pergunta de compromisso, cautelosa, que prevê os limites mais importantes, deixando a definição das políticas (de saúde, de planeamento familiar, judicial, etc.) para os actores e momentos certos. Pode responder-se sim ou não, e eu responderei "sim". Sou pela despenalização, naquelas condições, como outros são pela penalização mesmo naquelas condições. O que não se pode é invalidar a pergunta, degradando a sua lógica. Trata-se de uma pergunta directa. Como tal, pede apenas uma resposta honesta."

Rui Tavares
«Público» de 3 de Fevereiro de 2007

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sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Terrorismo...!

http://dn.sapo.pt/2007/02/01/nacional/mae_como_foste_capaz_me_matar.html

Extracto de texto publicado no DN (link acima) e que as crianças de uns infantários - Aquário e Nuvem do Centro Paroquial Nª Srª da Anunciada - dirigido pelo Padre Vieira, em Setúbal, levaram na mochila para casa:

"Um dia quando estava feliz a brincar no mais íntimo das tuas entranhas senti algo de muito estranho, que não sabia como explicar: algo que me fez estremecer. Senti que me tiravam a vida!... Uma faca surpreendeu-me quando eu brincava feliz e quando só desejava nascer para te amar (...) Mãe, como foste capaz de me matar?(...)"
"Diz-me Mãe: quem poderia entrar cruelmente dentro de ti e chegar onde, com tanta segurança eu me encontrava, a fim de me matar? (...) Como poderia eu imaginar que uma mãe fosse capaz de matar o seu filho quando, em casa, não maltratam nem o gato, nem a televisão?"
"Agora, Mamã, sei tudo. Estou aqui no outro mundo e um companheiro que teve a mesma sorte do que eu, disse-me que sim, que foste tu... Disse-me que há mães que matam os filhos antes de nascerem. Mãe, como foste capaz de me matar? (...) Por acaso pensavas comprar uma máquina de lavar ou um aspirador, com os gastos que talvez eu te iria causar?"
"Ele me disse que terás de Lhe dar contas do que fizeste! (...)"



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quinta-feira, fevereiro 01, 2007

CRÓNICA DE SEXTA-FEIRA ( 11ª )

NÃO

No dia 11 de Fevereiro efectuar-se-á, em Portugal, o referendo relativo à despenalização voluntária da gravidez até às 10 semanas. Ora, esta controversa questão social tem procriado, de uma forma lapidar, uma panóplia de opiniões no cerne da sociedade. Durante as últimas semanas, esta campanha francamente pejorativa e funesta traduziu-se numa irreversível radicalização de posições, assente no desrespeito mútuo dos argumentos basilares de ambos os movimentos.
Se no dia 11, pudesse votar, a minha escolha seria: NÃO. Porquê?
Considerando que:
1) A resposta à pergunta despenalizar não pode ser levada à letra, ou seja, despenalizar é não penalizar;
2) Despenalizar significa liberalizar a IVG até às 10 semanas;
3) Não precisa haver avaliação, basta pedir;
4) Para haver crianças tem que existir uma, duas, três… semanas de gestação, então porquê é que 11 semanas hão-de ser mais importantes que 10?
5) Este referendo não vai resolver a clandestinidade do IVG a partir destas semanas;
6) Em diversos países, com uma legislação semelhante à que se pretende implementar em Portugal, o número de abortos legais e ilegais têm aumentado de forma progressiva (eurostat, 31/01/07);
Em síntese, todos estes pressupostos, bem como, o cumprimento da Constituição e da ética médica, e a inquietante situação demográfica portuguesa (padecendo de um duplo envelhecimento) facultam-me poder concluir que não haverá outra alternativa senão votar, no dia 11 de Fevereiro, NÃO.

By Afonso Leitão

Nota : por impossibilidade de ser esta crónica postada amanhã, foi-o hoje.

Uma forma de evitar o aborto...!



JAZZ - ADORO

Louis Amstrong ainda mais.... Que maravilha

COLHEITA63 - CIÊNCIAS


Comandante Zé Gomes grande amigo desde sempre, meu vizinho e companheiro de muitas lutas.Aparece, participa. Um grande abraço